Com o objetivo de avaliar o impacto de odores na vizinhança da
Estação de Tratamento e Valorização Orgânica da Valorsul (ETVO),
foi desenvolvido um estudo para completar a estratégia integrada de
eliminação de odores que tem vindo a ser implementada.
O trabalho envolveu a elaboração de um questionário tipo que
permitiu avaliar o incómodo provocado pelos odores na população
envolvente da ETVO e procurou despistar eventuais fatores de cariz
socioeconómico que pudessem levar a um enviesamento dos
resultados.
No que diz respeito aos resultados, o estudo conclui que cerca
de 56% dos residentes na área de pesquisa não manifestam qualquer
tipo de incómodo relacionado com a ocorrência de maus cheiros.
Somente 12% dos residentes afirmam percecionar odores provenientes
da ETVO, mas esta situação é considerada como tolerável em todas as
zonas, à exceção da zona do Alto dos Moinhos, onde existe um
incómodo moderado, que é, no entanto, classificado como aceitável.
De salientar que naquela zona foi constatado que cerca de metade
das queixas eram devidas a odores provenientes da recolha de
resíduos sólidos.
Em resumo, o trabalho conclui que as medidas que têm vindo a ser
implementadas pela Valorsul, com vista à eliminação dos odores
provenientes da ETVO e à redução do incómodo junto da sua população
local têm um efeito a uma pequena escala, uma vez que se verifica a
existência de outros fatores tais como o ruído das linhas de
eletricidade e a existência de odores provenientes da recolha de
resíduos sólidos que também têm de ser minimizados/eliminados pelas
entidades responsáveis. O estudo vem reforçar que a estratégia de
comunicação iniciada pela Valorsul em 2006 constitui uma abordagem
essencial que deverá ser continuada.
De notar que, no que diz respeito ao controlo das emissões de
odores, esta unidade tem um sistema de extração e tratamento do ar
de exaustão dimensionado para tratar o ar contaminado que é
recolhido nas diversas zonas de processo da instalação, incluindo o
ar proveniente de diversos equipamentos potenciadores de libertação
de odores. O ar extraído é tratado em dois biofiltros, um fechado e
outro aberto (neste último sofre previamente uma lavagem ácida,
através de um "scrubber", para garantir a remoção de amoníaco).
Existe ainda um equipamento independente para a neutralização de
odores como complemento do tratamento supra referido.