Estudo Psicossocial


Com o objetivo de avaliar o impacto de odores na vizinhança da Estação de Tratamento e Valorização Orgânica (ETVO), foram desenvolvidos diversos estudos de acordo com o plano estratégico integrado de eliminação de odores definido pela Valorsul. Naquele âmbito foi elaborado um estudo psicossocial que permitiu avaliar o incómodo provocado pelos odores na população envolvente da ETVO e procurou despistar eventuais fatores de cariz socioeconómico que pudessem levar a um enviesamento dos resultados.

O estudo conclui que cerca de 56% dos residentes na área de pesquisa não manifestam qualquer incómodo relacionado com a ocorrência de maus cheiros. Somente 12% dos residentes afirmam percecionar odores provenientes da ETVO, mas esta situação é considerada como tolerável em todas as zonas, à exceção da zona do Alto dos Moinhos, onde existe um incómodo moderado, que é, no entanto, classificado como aceitável. De salientar que naquela zona foi constatado que cerca de metade das queixas eram devidas a odores provenientes da recolha de resíduos sólidos.

Em resumo, o trabalho conclui que as medidas que têm vindo a ser implementadas pela Valorsul, com vista à eliminação dos odores provenientes da ETVO e à redução do incómodo junto da sua população local têm um efeito a uma pequena escala, uma vez que se verifica a existência de outros fatores tais como o ruído das linhas de eletricidade e a existência de odores provenientes da recolha de resíduos sólidos que também têm de ser minimizados/eliminados pelas entidades responsáveis.


Programa "Sentido Apurado"
















Paralelamente, foi também desenvolvido o Programa "Sentido Apurado" que consiste num grupo de cidadãos que reside junto ao perímetro da ETVO e que tem a tarefa voluntária de reportar os odores sempre que forem detectados e que considerem que são provenientes da ETVO. Para tal, os voluntários recebem uma formação e um cartão com um código pessoal com um número de contacto para onde devem enviar um SMS, sempre que uma situação de maus cheiros for detetada.


Tratamento do ar

De notar que, no que diz respeito ao controlo das emissões de odores, esta unidade tem um sistema de extração e tratamento do ar de exaustão dimensionado para tratar o ar que é recolhido nas diversas zonas de processo da instalação, incluindo o ar proveniente de diversos equipamentos potenciadores de libertação de odores. O ar extraído é tratado em dois biofiltros, um fechado e outro aberto (neste último sofre previamente uma lavagem ácida, através de um "scrubber", para garantir a remoção de amoníaco). Existe ainda um equipamento independente para a neutralização de odores como complemento do tratamento supra referido.



A mata Fito Remediadora

Por forma a minimizar os possíveis odores provenientes da instalação, a Valorsul elaborou um projeto de requalificação da envolvente da instalação.

Através de uma Intervenção de Arquitetura Paisagista para as áreas envolventes, criou-se uma "Mata Fito Remediadora" para reduzir os efeitos indesejáveis dos odores emitidos. Os 43.012 m2 foram objeto de florestação especial.

Usar a própria natureza para preservar o meio ambiente é o princípio básico que se pretende utilizar, recorrendo preferencialmente à vegetação resistente aos principais agentes poluidores, para criar uma barreira vegetal que minimize os efeitos nocivos dos odores desagradáveis que advêm do processo de laboração dos resíduos orgânicos no processo de compostagem existentes na unidade.

O termo "Fito Remediação" refere-se ao uso de plantas sozinhas ou associadas a micro organismos, para conter ou estabilizar vários contaminantes ambientais. As plantas removem muitos poluentes do ar, como sejam o NOx, SOx, FLOx. A Mata Fito Remediadora tem cerca de 1.455 árvores, instaladas individualmente em covas de árvores reforçadas com terra própria de jardins, devidamente drenadas e regadas por um sistema de rega gota-a-gota programável.

​Para além das funções fito remediadoras na minimização dos odores, esta intervenção florestal contribuiu para o designado Plano Municipal de Arborização da Amadora, (onde se prevê a plantação de 100.000 árvores), com o sequestro aproximado de cerca de 4,74 toneladas de CO2 por ano.